22/02/2017 às 07h57min - Atualizada em 22/02/2017 às 07h57min

Sandrinho do Acordeom, o sanfoneiro tricampeão!

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Quem olha para o palco, atrás de toda aquela fumaça, vê um garoto sertanejo e carismático tocando acordeon. Sempre sorrindo e agradecendo a presença de amigos piauienses pelo microfone, ele tem um grande amor pelo Nordeste. Com um chapéu de vaqueiro, camiseta branca e sandália de couro, Sandrinho se apresenta na Casa da Farinha, em São Paulo. No encerramento da apresentação, sempre desce do palco tocando ‘Vida de Viajante”, de Luiz Gonzaga, rodeado de pessoas queridas cantando junto.

Há 23 anos, a pacata cidade de Dom Inocêncio, onde a caatinga judiava, ao sul do estado do Piauí, era o palco do nascimento desse jovem. Ao som do baião e do forró, Sandro Dias veio ao mundo com espírito musicista, herdado da família, e Luiz Gonzaga lhe confirmava isso cada dia mais. Aos 12 anos de idade, recebeu um primo de São Paulo que iria morar com ele. Os primeiros toques no instrumento vieram daí, com o apoio do pai, que sempre sonhou em ser sanfoneiro, mas não pôde seguir esse caminho por falta de dinheiro.

Senhor Salvador, como é conhecido, é pai do rapaz e, para que o filho pudesse prosseguir no aprendizado, vendeu uma caminhonete e uma casa para comprar um acordeon para o filho. “Todo mundo chamou ele de louco quando fez isso daí. Essa loucura nos trouxe aqui hoje”, disse Sandrinho no programa do Luciano Huck, ao participar do quadro ‘Quando você menos espera’.

Sandrinho se mudou para São Raimundo Nonato ainda menino. Lá, as oportunidades seriam maiores, a cidade era mais desenvolvida e conhecida, afinal, ali está um dos maiores tesouros do Piauí: A Serra da Capivara. Próximo ao ponto turístico, está o bairro do Campestre, onde o garoto morava com os pais e as três irmãs. Uma casa bem aconchegante e simples. Ao entrar na sala, as pessoas conseguem ver de longe, na estante, troféus conquistados pelo menino. Três mini-estátuas em formato de sanfona com o nome: “Festival de Sanfoneiros”, anos 2009, 2010 e 2011.

Sandrinho é tricampeão piauiense do evento, que acontece todos os anos em Petrolina (PE). No terreiro da casa, o cenário bem representativo do Nordeste. Mandacaru ali e aqui. Cadeiras de plástico, formando uma grande roda e no centro, o professor Sandro ensinando aos jovens cada acorde daquele instrumento que segurava com tanto gosto.
Fole abre e fecha, sincronizado, tocava a Asa Branca.

“Desde o meu primeiro toque, buscava repassar aquilo para o próximo. Antes de eu aprender a tocar sanfona, meu pai já era envolvido com shows e ajudava com a banda do meu tio. Todo mundo podia tocar, cantar e participar. Eu olhava aquilo e sentia que podia ajudar e incentivar também”, diz Sandro, ao relembrar a falta de estrutura que a pequena cidade de Dom Inocêncio tinha para as questões culturais.

Em 2011, em parceria com o pai, o rapaz oficializou o programa Acordes do Campestre. Todos os dias, à tarde, quando o sol se punha, as crianças chegavam à casa dele para mais uma aula. Para participar do projeto, o pré-requisito era que todos tivessem notas altas, mas nem todos conseguiam isso. Com cerca de 150 participantes, Sandro percebeu a necessidade de estabelecer algo novo, e então arrumou alguns amigos para ajudar os pequenos com o reforço escolar, após as aulas de música. Turistas vão e vêm pelas proximidades. Sempre admiraram esse trabalho e, então, pediram a autorização para divulgá-lo no Facebook de Sandrinho. Isso repercutiu. A mídia local foi procurar saber mais sobre essa história, até que chegou às emissoras de televisão. 

Associação Acordes do Campestre é totalmente independente e, para se manter, depende de doações. Sandro conseguiu muitos instrumentos e uma caminhonete nova, para continuar com o programa, que já tem duas extensões pelo Piauí: São João e Dom Inocêncio.

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